Feijão: O carro chefe da cozinha brasileira.


Você já deve saber que o Feijão é uma das bases alimentares da cozinha brasileira, e que assim como o nosso famoso arroz, está presente em nossos pratos quase que diariamente, mas você sabe a origem de seu cultivo e os benefícios que ele traz para nossa saúde?
 Essa semana a gente vai te contar um pouco da história do cultivo deste alimento  que está presente na cultura alimentar de diferentes países fora o Brasil, te dar algumas dicas de como preparar e armazenar aquele feijãozinho perfeito para a semana, além de te ensinar uma ótima receita com o feijão que fuja da corriqueira combinação “arroz, feijão e mistura” para que você possa preparar no seu final de semana. 

O feijão faz parte do grupo das leguminosas e é uma das ótima fonte de proteína vegetal, além de possuir grandes quantidades de ferro, então se você é vegetariano ou vegano, o feijão também é um ótimo alimento para você ter no cardápio, ele te ajudará a suprir as quantidades necessárias de ferro e proteína na sua alimentação.
 
Existem diferentes tipos, raças e uso do feijão, o que nos dá a possibilidade de variar entre eles de vez em quando, até para não ficarmos presos somente ao feijão carioquinha de cada dia. Na cultura norte-americana o feijão costuma ser consumido com bacon, carne moída e melado, já na cultura mexicana é mais comum seu consumo frito ou refrito acompanhado de chilli, uma pimenta extremamente aromática e picante. Na França os feijões costumam ser mais graúdos e são mais encontrados em suas variedades vermelhas e brancas e são servidos sem caldo, assim como no México. Mas a grande realidade é que ao redor do mundo nenhuma cultura soube explorar tão bem o potencial do feijão como nós brasileiros fizemos. Aqui ele é o carro chefe de toda e qualquer cozinha tipicamente brasileira e pode ser encontrado na feijoada, caldos, sopas, saladas, no típico acarajé baiano, no tutu à mineira entre outros tantos pratos típicos da nossa tão vasta cultura alimentar.

O quão antiga é a origem do Feijão?
Os feijões estão entres os alimentos mais antigos de que se tem notícia, sendo diretamente ligado aos primeiros registros da humanidade. Os feijões foram cultivados no antigo Egito e na Grécia, onde eram cultuados também como símbolo da vida, talvez por serem considerados como alimento essencial desde aqueles tempos. Em Roma os feijões eram usados de diferentes modos e em suas comemorações gastronômicas, podendo servir até mesmo como pagamento de apostas.
Existem indícios do uso do feijão desde a Idade do Bronze, na Suíça e entre os hebraicos cerca de 1.000 a.C. Nas ruínas de Tróia foi encontrado evidências de que os feijões eram um dos pratos favoritos dos guerreiros troianos. Em paralelo com essas evidências encontradas em Tróia, historiadores atribuem a disseminação do feijão no mundo às explorações e guerras, já que esse alimento era parte essencial da dieta dos soldados em marcha.

Existem muitas histórias a respeito da origem e domesticação do feijoeiro, uma delas é de que o feijões crioulos, aquelas espécies mais próximos do feijão selvagem, tiveram sua origem no México, neste estudo a existência de espécimes domesticados teriam sua origem por volta de 7,000 a.C aparecendo primeiro na região da Mesoamérica (a região se estende desde o sudeste dos EUA e vai até o Panamá) e mais tarde sendo disseminado na América do Sul. 
Outra hipótese estudada a partir de achados arqueológicos, é de que na verdade o feijão teria sido domesticado por volta do ano 10,000 a.C no Peru, o que levou estudiosos a considerarem que na verdade o feijoeiro teria sido domesticado a princípio na América do Sul e só depois levado para a América do Norte (região mesoamericana). 

Existe ainda outro estudo, este  bem mais recente que sugere que o feijão possui três centros primários para sua diversidade genética tanto em espécies silvestres quanto nas domesticada  pelo ser humano. Esse estudo também aponta para a região mesoamericana, mais especificamente no México e na Guatemala; a região sul dos Andes, que vai desde a região noroeste da Argentina até o norte do Peru; e o norte dos Andes que abrange desde a Colômbia e Venezuela indo até o norte do Peru. Além dessas regiões da América também foram identificados outros vários centros secundários em regiões da Europa, Ásia e África, onde é mais comum encontrar espécies mais parecidas das analisadas na América do Norte.

As diferentes espécies do feijão:
Como já citamos, existe uma vasta diversidade de espécies e variedades do feijão, e vale muito a pena conhecer melhor os tipos mais consumidos no Brasil e que podemos facilmente encontrar no mercado:

Feijão Carioquinha
É uma das variedades mais consumidas atualmente no Brasil. Os grãos possuem um tamanho médio e suas listras são mais escuras do que o marrom do grão.
Rende um bom caldo e cozinha em menos tempo. Com os grãos cozidos e o caldo escorrido, é possível fazer um bom feijão tropeiro, misturando-se farinha, cheiro-verde, linguiça ou carne de sol.

Feijão Jalo
Seus grãos são maiores do que o Carioquinha e possuem tom amarelado. Depois de cozido tem um caldo encorpado, de coloração marrom avermelhada. Muito consumido em Minas Gerais e na região Central do Brasil, serve de base para o preparo de Tutus e Virados.

Feijão Rajadinho
É um pouco mais claro que o carioquinha e suas listras têm coloração avermelhada. Depois de cozido forma um caldo encorpado e muito saboroso, essa espécie é bem parecida  ao feijão jalo.

Feijão Vermelho
De coloração mais avermelhada tem seus grãos alongados, é uma variedade mais usada no preparo de saladas. Os franceses chamam-no Flageolet, e fazem dele um complemento para os assados, com salsa picada e manteiga. Depois de cozido os grãos se mantêm íntegros, sendo ideal para o preparo de saladas.

Feijão Branco
Com grãos de tamanho grande, é a variedade mais indicada para o preparo de saladas ou pratos mais complexos, como o Cassoulet.

Feijão Rosinha
Embora não seja rosa, apesar de seu nome, sua cor tende mais para um vermelho suave do que para o marrom. Os grãos são menores e possuem a casca delicada. Faz um bom caldo e cozinha com maior facilidade.

Feijão Fradinho
Mais conhecido como feijão de corda ou feijão macassar dependendo da região, é com ele que se prepara o acarajé. Possui coloração clara e uma mancha arredondada e preta nos grãos.

Feijão Preto
Esta é uma espécie que é uma unanimidade desde os tempos coloniais.
O feijão preto é a variedade mais consumida no estado do Rio de Janeiro, talvez uma herança dos tempos da antiga corte do Brasil Império. Ele tem a casca mais delicada, e é a variedade ideal para o preparo da feijoada, do “Feijão de Coco” (feijão cozido com coco fresco ralado, uma preparação típica do Nordeste) e também para o nosso Feijão Maravilha: a textura delicada do caldo acolhe com maestria os sabores da carne e da abóbora, fazendo uma combinação nutritiva, saborosa e muito colorida.
Um viajante europeu chamado Carl Seidler, que esteve por aqui em 1826 disse o seguinte: 
“O feijão, sobretudo o preto, é o prato predileto dos brasileiros; figura nas mais distintas mesas, acompanhado de um pedaço de carne seca ao sol e toucinho à vontade. Não há refeição sem feijão, só o feijão mata a fome. É nutritivo e sadio, mas só depois de longamente acostumado sabe ao paladar europeu, pois o gosto é áspero, desagradável…”



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